Séries (d)e Televisão

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Domingo, 06 / 01 / 08

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Mou fum kom tiu siu en si, hei cui tom siu a pa teng si, si yu fei kom joi yo sam mou si sam hing ieng yi...

Não faça a menor ideia do que acabei de escrever! Só sei que em 1986/87 estava a cantar esta melodia sempre que ia para o ar um novo episódio da série “Os Jovens Heróis de Shaolin”.

A história centra-se no relato da vida de três jovens famosos heróis que são um mito que remonta à Dinastia Ching. A série acompanha os duros treinos de Kung-Fu no templo e foca a exigência da cerimónia de passagem, na qual o iniciado se transforma realmente em mestre. Estes três jovens estabelecem amizade com um estranho rapaz que anda sempre com um pagem e enfrentam poderosos inimigos, possuidores de conhecimentos ocultos que utilizam para alcançar os seus objectivos. Eles procuram restaurar a Dinastia Ming, que saiu do poder há 17 séculos e da qual descendem.

Jovens Heróis de Shaolin, ou no original "Ying hung chut siu nin" é uma série de 1981 que atingiu grande sucesso nos países em que foi exibida, pela junção que faz entre o humor e artes marciais, a fantasia e a magia.





English Version:
I’ve no idea what I’ve just wrote! I only know that, by the year of 1986/87 everytime an episode of Young Heroes of Shaolin was aired I was singing this melody.

The show´s plot focus on the life of three young heroes, three myths from the long gone Ching Dynasty. It shows the demanding Kung-Fu trainings at the temple and the importance of the passage ceremony, where apprenticees turn in to masters. These three youngsters establish a friendship with a strange man that always travels with a pagem and have to face dangerous enemies that use magic to destroy them. There goal is to restore the Ming Dynasty, witch has been out of power for 17 centuries and from witch they are descendents.

Young Heroes of Shaolin, or in its original "Ying hung chut siu nin", it’s a tv show from 1981 that achieved great success in every country it was shown, mainly due to the humour mixed with martial arts, fantasy and magic.
publicado por TV Mania às 22:35
Domingo, 06 / 01 / 08

DHARMA & GREG


Estreou em Portugal a 4 de Novembro de 1998 e pode revê-la agora, desde o primeiro episódio, novamente na SIC Mulher.

Ver os primeiros episódios desta série é voltar ao riso leve e inteligente. O espectador fica a conhecer todas as personagens e suas características logo no primeiro capítulo.

No centro está Dharma, uma rapariga hippie para os dias de hoje. Os pais dela também são uma raridade sobrevivente da época das flores, paz e amor. Depois temos Greg, um advogado, filho de Kitty e Edward, ambos a viver na alta sociedade. É então que Dharma vê Greg. O casal sente uma atracção imediata e casa nesse mesmo dia, separando-se logo depois. Mas Dharma e Greg têm algo de verdadeiro e a relação deles sobrevive ás estranhas e completamente opostas situações que se vão gerando devido às suas origens e estilos diferentes.

Dharma & Greg sobreviveu durante cinco épocas. “Veio ao mundo” em 1997 no canal a americano ABC e terminou em 2002. Pelo meio teve um período mais sombrio, em que parecia que as personagens estavam a sofrer uma transferência de personalidade. Greg começa a fazer disparates, a ter ideias malucas e chega, inclusive, a virar vagabundo e a sair de casa. Mas no geral, esta série é deliciosa como um rebuçado.

Se você tivesse de escolher um personagem preferido, qual escolhia? O doido e amnésico Larry? A transcendental Abby? O pré-reformado Edward? A socialite Kitty? O amigo Pete? A amiga Jane? A Dharma ou o Greg?

A minha favorita é Kitty!




English Version:
It premiere in Portugal on 4 of November 1998 and you can see it now on SIC Mulher channel.

To see the firsts episodes of Dharma and Greg is to have the return of a light intelligent laughter. Immediately in the first episode, you get to know each of the main characters and its characteristics.

In the centre there’s Dharma, a hippie “peace and love” couple’s daughter. Then comes Greg, a rich father and mother’s attorney son. Then Greg sees Dharma and Dharma sees Greg. They feel attraction immediately. In that same day, they get married and later get separated. But what Dharma and Greg have is a true thing. Although they came from completely different backgrounds, their relationship is here to stay.

Dharma and Greg lasted 5 seasons, from 1997 to 2002. It had an odd turn to it, when Greg and Dharma seem to change personalities. Greg changes so, that he becomes a vagabond and even gets to a begging situation. It’s a very weird turn! But all and that, this sitcom is has sweet has a candy.

So, what’s your favourite character? Mine is Kitty. She’s delightful!
publicado por TV Mania às 21:21
Sábado, 05 / 01 / 08

The Facts of Live - Os factos da Vida


Pega no bom e no mau, mistura os dois e aí tens: os factos da vida!

Começa assim, mas em inglês, o genérico da série “The Facts of Life”. A série nunca passou em Portugal mas aqueles que na década de 80 tinham acesso a canais parabólicos puderam acompanhá-la no canal Sky One.

A história aproveita uma personagem de outra sitcom de sucesso: “Different Strokes” (também emitida nessa altura pela Sky One, juntamente com muitas outras que Portugal não chegou a ver nos seus canais nacionais – na altura apenas a RTP). A personagem é Mrs. Garret, a empregada doméstica dos Drummonds que abandona o posto para ser a orientadora num colégio interno de raparigas. Aí vai lidar com o tipo de situações por que todos os adolescentes passam.

Ao chegar há segunda série em 1980 (foram nove no total e 209 episódios) foi necessária uma redução de personagens e assim, as aventuras destas adolescentes passaram a ser retratadas por quatro raparigas ao invés de sete. São elas:

BLAIR WARNER: menina rica, bem criada, loura e bonita. Tem 15 anos. Admite ser mimada e ter sempre conseguido levar a sua adiante. Citação favorita: Acabei de ter outra das minhas brilhantes ideias!


NATALIE SAIGE GREEN menina rechonchuda, gosta de escrever. Tem 14 anos. Possuí uma auto-imagem de si mesma muito positiva. Citação favorita: Prefiro ser um marcador mágico a ser um fino lápis nº2!
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DOROTHY "TOOTIE" RAMSEY menina negra, espirituosa, de 12 anos. Citação favorita: Vêm aí sarilhos!



.JOANNA MARIE POLNIACZEK a maria-rapaz, sarcástica, inteligente, de origem humilde e má criação. Citação favorita: O meu pai contou-me que existem dois tipos de pessoas: As que agridem e as que se deixam ser agredidas. E disse-me: quero que sejas das que agridem.

Em 1986 e a duas épocas de terminar, Charlote Rae abandona o programa. A sua personagem, Mrs. Garret, casa-se e parte com o marido para África, juntando-se ao Corpo da Paz. Pelo ano de 1988 as raparigas entravam na idade adulta e assim termina a série. Natalie, que é a primeira a perder a virgindade, torna-se escritora. Joanna torna-se uma mulher de negócios e namora com o músico Rick. Tootie faz planos para se tornar actriz e vai estudar para Londres. Blair, que estudava direito na faculdade, toma a decisão de comprar a escola e assume as funções da antiga educadora.

Esta sitcom tem imensos fãs ainda hoje, o que levou à realização de um filme em 2001. As personagens reaparecem nas suas vidas adultas. Mrs. Garret fica viúva e regressa à América. Blair Warner está ainda mais rica, tem um império de hotéis com o marido Ted, mas suspeita que este tem um caso amoroso. Tootie abandonou a carreira de actriz para tentar tornar-se apresentadora de televisão com um programa seu. Natalie é produtora jornalística em televisão e Joanna é polícia. Casou com o então namorado, que se tornou compositor e têm uma filha.

Alguns assuntos abordados pela série:
A puberdade, perda e ganho de peso, a falta de comunicação entre pais e filhos, divórcio, suicídio, drogas e álcool, morte e sexualidade. Esta série foi pioneira e criou-se uma personagem com paralisia cerebral, que surge na história como prima de Blair, interpretada por uma adolescente com essa deficiência.
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Abertura 1ª série-1st season 1st openning credits:
3ª abertura da 1ª série - 1st season 3rd oppening:
2ª abertura da 3ª série - season 3 second oppening:
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You take the good, you take the bad, you take them both and there you have the facts of life...

This´s how it starts. This tv series has never ran on Portuguese national channels, but for those who had access back in the 80´s to satellite emission, was possible to watch it on skyone.

This is a spin-off of another success sitcom: “Different Strokes”. The character Mr. Garret, who was the Drummonds housekeeper, is now the housemother to an internal school for women. In 1980, when the series arrives to the second season, the girls pass of being seven to just four. They are:

BLAIR WARNER: rich, well breed, a blond beauty. She’s 15 and hides from no one she’s accustomed of having people responding to her every wish. Favourite phrase: I just had another one of my brilliant ideas!

NATALIE SAIGE GREEN: chubby kid, likes to write. She’s 14 and has a very healthy self-image attached with a sharp wit. Favourite phrase: I’d rather be a happy Magic Marker than a skinny pencil”.

TOOTIE RAMSEY: black 12 years old girl. Favourite phrase: There’s going to be trouble!

JOANNA MARIE POLNIACZEK: a tom-boy, sarcastic, intelligent from humbled background and bad breed. Favourite phrase: My father told me there are two types of people. People who get shoved and people who do the shoven. He said, Jo, I want you to do the shoven.

In 1986, two seasons before the show ending, Charlote Rae leaves. Her character, Mrs. Garret gets married and goes to Africa with her husband who works on Peace Corps. By the year of 1988 the girls wore teenager grown-ups and so the sitcom ended. Natalie, who is the first to loose her virginity, becomes a writer. Joanna a business women that’s dating the musician Tick. Tootie makes plans to be an actress and goes study to London. Blair, who was studding law in the university, decides to buy the school and be the new housemother, and plans to turn the place into a mix gender school.

To this day, this sitcom has a large number of fans, witch resulted on the production of a movie reunion in 2001. This movie showed the characters all grown-up in their lives. Mrs. Garret is now a widow and returns to America. Blair is even wealthier, has an hotel empire with her husband Ted, bud is suspicious of him having an affair. Tootie abandoned the acting ambition to adopt another: to have and present her own show-host. Natalie is a television news producer and Joanna a cup, has married her boyfriend Rick who is a music composer and they have a child.

Some of the issues the sitcom approaches:
Puberty lost and gain wan, lack of communication between parents and sons, divorce, suicide, drugs and alcohol, death and sexuality. This was a pioneer sitcom that introduced a cerebral paralysis character, Blair’s cousin, interpreted by a true deficient person.
publicado por TV Mania às 22:19
Quarta-feira, 02 / 01 / 08

CONTA-ME COMO, COMO FOI?

A série de melhor qualidade a passar na televisão portuguesa


Conta-me como Foi” merece um Emmy (se os houvessem em Portugal). A série não é uma ideia original portuguesa e sim uma adaptação inspirada na espanhola “Cuéntame como Passo”. É exibida na RTP1 quando lhes dá na moca (normalmente aos Domingos muuuito de noite).


É a melhor que já vi. Aquela que me toca no coração, entretém, e me enche de nostalgia por um tempo que não vivi, ao me dar a conhecer o passado que influencia quem sou.


A acção começa em 1968. Altura em que Portugal vive na ditadura de Salazar. A pobreza é muita, o dinheiro pouco e vive-se com dificuldades. Mas nem tudo era mau na década de 60. Segundo alguns parentes, podia-se andar horas a passear pela rua, sem receio de assaltos ou agressões. Eram mais “livres” – uma estranha contradição num período que se diz de opressão e ditadura, mas onde as amizades e as relações afectivas eram mais sólidas e sinceras. O meu imaginário enche-se de ideias, que a série “Conta-me como foi” muitas vezes reproduz.


O enredo da série aposta na simplicidade: mostrar como era a vida de uma família normal, classe média baixa, Lisboeta, como muitas oriunda da província na busca de uma vida melhor e a morar num bairro social. A história é contada pela voz de um narrador adulto a relembrar os seus dias de criança. Existe também a evolução da RTP e o aparecimento da televisão como fio condutor dos acontecimentos. Por exemplo: após adquirirem o aparelho, a família Lopes pensa em comprar uma máquina de lavar e a motivá-los está também os anúncios publicitários da época, ao detergente Skip balde.

Depois temos o cenário. Muito familiar é a casa dos Lopes. A começar pela telefonia, praticamente idêntica há de meu avô, também ele oriundo da província há procura (tal como tantos outros) de emprego em Lisboa. Os copos de vidro castanhos aos losangos, as cadeiras, a mesinha, e os naperons espalhados por todas as superfícies, para os móveis não se riscarem.


As dificuldades financeiras eram muitas e todo dia era uma luta para pagar as dívidas e colocar comida na mesa. Uma sardinha dividida por três, trabalho de manhã ao deitar, realidades muito presentes no esforço de Guida e António Lopes, os pais desta família. A eles se junta os seus três filhos, um casal adolescente e um rapaz de 8 anos, o narrador. Catarina Avelar completa o núcleo familiar, como a avó, mãe de Guida.


António trabalha no ministério e também tem um “biscate” numa tipografia. Guida faz costura para fora, além de tratar da casa. A filha mais velha, Isabel trabalha num salão de cabeleireiro e o filho Tony entrou para a universidade, sendo o orgulho e esperança num futuro melhor. O mais novo, Carlinhos, passa os seus dias entre a escola e as brincadeiras com os amigos no descampado. Pelo meio surgem os ambientes da rua, através do quiosque do seu Camões e da janela da casa da D. Emília, remendadora de meias. Há também o ambiente da igreja, onde o padre desempenha um papel de influência na comunidade e o do café, onde as pessoas, principalmente os homens, vão para beber uma “branquinha” e umas cervejinhas. E assim, por estes cenários, vai-se contando a evolução social, económica e política de Portugal e do mundo.

"Conta-me como foi" retrata, acima de tudo, os papéis sociais e as ambições do homem e da mulher, de jovens e idosos e o modo de viver e de pensar de uma sociedade fechada sobre si, com os seus tabus, que se vê confrontada pelo mudar de mentalidade.

ELENCO:
• Miguel Guilherme – António Lopes - pai, funcionário público e tipógrafo
• Rita Blanco – Margarida Lopes - mãe, doméstica e costureira
• Catarina Avelar – Dona Hermínia - a avó
• Rita Brütt – Isabel Lopes - filha mais velha, cabeleireira
• Fernando Pires – Tóni - filho do meio, estudante universitário
• Luís Ganito – Carlos - filho mais novo
• José Raposo – Engenheiro Ramires – dono da tipografia onde trabalha António Lopes
• João Maria Pinto – Fánan – dono do café
• Luís Alberto – Camões – dono do quiosque
• Margarida Carpinteiro – D. Vitória – vizinha da família Lopes, viúva
• Mariema – Menina Emília – solteira, apanha malhas de meias de senhora
• José Pinto – Padre Antunes – o padre conservador
• Manuel Wiborg - Padre Vítor - jovem padre e progressista
• Maria João Abreu – Clara – dona do cabeleireiro onde trabalha Isabel
• Ana Guiomar - Lena - colega universitária de Tóni, progressista e activista
• Sandra Santos – Náni – cabeleireira, colega de Isabel
• Ramon Martinez – Rui Jorge – namorado conservador de Isabel
• Francisco Madeira – Luís – amigo inseparável de Carlos
• Manuel Alves – Marinho – amigo inseparável de Carlos
• Augusto Portela – Professor Rui Braga – professor de Carlos, Marinho e Luís
• Luís Mascarenhas - Miguel - irmão de António, emigrado em França
• Luís Lucas - Narrador - a voz adulta de Carlos
Veja aqui excertos da série:
Para ver um episódio rico em referências temporais, da 2ª série, carregue em play. Trata-se dos planos para o casamento de Tony e Helena, e Carlinhos e os amigos decidem imitar o que vêm no seu programa favorito: Bonanza.



Conta-me como Foi” passou por um sobressalto de produção, ao deixar de ser, sem aviso prévio e a três episódios do final da primeira série, produzida pela produtora RTP Meios. Contudo, a equipa técnica, de produção e de guionistas encontrou uma nova produtora para dar seguimento ao projecto, a competente SP Filmes, responsável pelo maior share da Sic nos seus tempos áureos, pertencente aos profissionais António Parente, Pedro Martins e Jorge Marecos.
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A série "Conta-me como Foi" deve ser lançada em DVD. Nós compramos! Mas vão com calma, que o povo continua pobre e o momento é de crise. Não sejam gananciosos... 20 euros a série, e não se estiquem, ok? Que não estão a importar nada...
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ASSINE A PETIÇÃO. Assinaturas precisam-se! Siga o link:
publicado por TV Mania às 18:14
Segunda-feira, 31 / 12 / 07

Golden Girls/Sarilhos com Elas


Quatro mulheres com rugas no rosto, evidenciando terem acima de 50 anos de idade. Quem diria que teria tanto sucesso?

Golden Girls é uma sitcom criada em 1985 que durou 7 décadas. Visou assuntos interessantes e ás tantas controversos, a começar pela sua sipnose: Quatro mulheres idosas, separadas ou viúvas, que vivem juntas num apartamento de luxo e são sexualmente activas.

Blanche é a mais namoradeira de todas. Lança-se em aventuras românticas quase a cada episódio, tendo um comportamento muito assumido e ás claras. Dorothy foi casada por 38 anos e enganada pelo marido um sem número de vezes, até este a deixar por uma jovem hospedeira de voo. Vive agora também com a sua mãe, Sofia, que está sempre a relembrar episódios passados na sua terra natal em Sicília, Itália. O quarto elemento é Rose. Criada num orfanato em St. Olafs, uma pequena povoação rural e adoptada por uma família numerosa, as suas histórias são sempre longas, tristes, maçantes e extraordinariamente sem nexo. O que gera muitos momentos de riso. Ela é também um tanto esquecida e vive com o trauma de ter perdido o marido de ataque cardíaco na cama, enquanto faziam amor.

É graça há riqueza destas personagens e a um guião muito bem escrito, que as quatro amigas discutiam os seus problemas e partilhavam a sua amizade, época após época, sentadas na cozinha, a beber café, chá e a comer biscoitos e bolos. Tal como se passa na realidade, a cozinha das Golden Girls (mulheres na fase dourada da vida) era o centro de todos os assuntos importantes.

A série ganhou 11 Emmys e 4 Globos de Ouro. Todas as protagonistas receberam um Emmy, feito somente alcançado anteriormente por All in the Family (Tudo em família) e posteriormente por Will and Grace.

Penso que é uma sitcom com uma pitada de intemporalidade. Estou pronta para a rever a qualquer altura. Seja eu como fui então uma jovem de pouco mais de uma dúzia de anos, ou esteja já nos meus Golden Years.

English Version:



Four women with wrinkled faces, showing they’re over 50. Who would say it was going to be a huge hit?

Golden Girls is a 1985 sitcom that run for 7 seasons. It showed interesting and sometimes controversial issues, starting with it’s synopses: four elderly women, some divorced others widows, live together in a luxurious apartment and are sexually active.

Blanche is the flirtatious one. She has a romantic adventure almost every episode. She assumes it and makes no effort to hide it. Dorothy was married for 38 years with a husband that cheated on her frequently until he finally lefts her for a young flight attendant. Now she lives again with her mother, Sophia, who is constantly starting a Sicilian story (her Italian roots) with the phrase: Picture this… The fourth element is Rose. Raised on an orphanage in St. Olaf, a small agriculture community, and lather adopted by a large bizarre family. She’s an widow, who has lots of suns and grandsons. She lives with the traumatic experience of seeing her husband die wile they were making love.

Thanks to this charming characters and a well written script, this four friends chairing their friendship with the audience, were able to discuss their problems in the kitchen table for 7 seasons, over some coffee or some tea with cake.

The series won 11 Emmys and 4 Golden Globes. Each of the main actresses won an Emmy. A feature only preceded by All in the family and lather by Will and Grace.

I believe this to be a good sitcom to watch, indifferently of how many years go by. I’m ready to re-seen it, in spite of being no longer in my something dozen years old. I imagine it will be interesting to see it when my turn to enter my “golden years” arrives.


publicado por TV Mania às 17:38
Quinta-feira, 27 / 12 / 07

DR. HOUSE

Nos anos 80 surgiu uma série de muito sucesso que entrou pelos anos 90 a dentro. Já revelarei o nome. Era sobre um homem que, do nada, conseguia resolver os problemas mais complicados de forma surpreendente.

Faz lembrar o Dr. House? Pois faz! Este herói dos anos 80 foi encarnado por Richard Dean Anderson e, tal como House, a série tinha o título da personagem principal: Macgyver.

Há primeira vista, as semelhanças são apenas duas: ambas as personagens são o título da série e ambos são homens que resolvem situações impossíveis. De resto, não podiam ser mais opostos, certo? Um é cientista, o outro médico. Um ia para países estrangeiros, metia-se em guerras no deserto, explodia aviões e era um homem simpático, ágil e de acção. O outro gosta mais é da vida cómoda e fácil: automóvel estacionado o mais próximo possível da porta do trabalho e pessoas a cederem aos seus caprichos. Não é ágil, é arrogante e ofensivo.

Mas as semelhanças entre as duas séries são mais próximas do que parecem. É ingrato falar de uma série que ainda não acabou. Se não acabou, ainda pode sofrer alterações radicais e mudar para melhor ou para pior. Mas como já está no ar há alguns anos, pelo menos sobre esse período de tempo pode-se avaliar a obra.

Então cá vai: Dr. House é essencialmente o título que tem: o doutor House. O restante ambiente criado à sua volta não vale nada. A vida pessoal das personagens secundárias não tem interesse. É pouco desenvolvida. O ambiente no hospital por vezes dá vontade de rir, de tão irreal que parece ser. Centrem-se, se mais nada vos chamar a atenção, na reacção de alguns familiares dos pacientes problemáticos de House. Agora retirem o House dessa história e vejam o que fica.

Nada se aproveita, certo?

Vamos por partes. O primeiro argumento que dei é o pouco desenvolvimento das personagens secundárias. Tomemos o grande amigo de House como exemplo. Wilson (nome certamente inspirado na mais famosa personagem secundária do mundo, cuja função era escutar o doutor Holmes, Sherlock Holmes).

Também ele médico, divorciado não se sabe bem quantas vezes, penso que uma das suas ex-mulheres só foi inserida na história para se envolver com House. Tirando isso, a personagem não existe. Ela vive e respira House. Tal como acontecia em MacGyver. Rever esta série de imenso sucesso hoje, é rir ás gargalhadas desalmadamente. Algumas cenas são bem ruins! O mesmo acontecerá com House, decerto.

O segundo argumento que dou é o ambiente hospitalar ser pouco credível. Pois assim me parece.

Os restantes “médicos” parecem ter como função andar a desfilar de bata branca pelos corredores e dizer frases com palavreado difícil. Por vezes acompanhados de House, apenas para que todas as cenas não se passem sentados num gabinete. Afinal, há que passar a impressão de ambiente hospitalar. Batas brancas e estetoscópio ao pescoço já não chegam para isso.

Outra forma de passar ao espectador a sensação de ambiente hospitalar é mostrar os exames e tratamentos a que os pacientes são submetidos. Aí pode ver-se toda a parafernália médica: as máquinas e agulhas, o sangue. O doente sempre, mas sempre tem uma crise inesperada, após conversar com um dos médicos de House que lhe faz uns exames e diz que está melhor.

Mas a maior crítica que faço nesta perspectiva, é às reacções dos familiares destes pacientes. Ficam sempre muito resignados. Demasiado tranquilos para quem subitamente vê um filho/pai/mãe/esposo/esposa/tio/tia enfim, um ente querido inesperadamente no hospital e escuta pela primeira vez, ou entende pela primeira vez, que este está ás portas da morte. Só um milagre é capaz de impedir a eminente morte. E ao invés de se desesperarem, de arrancarem o coração para fora, a reacção da maioria dos familiares dos pacientes de House, faz-me rir. Rir muito!

Se calhar sou eu que já estou avançada para a idade. Já estou a ver esta série daqui a uma ou duas décadas. Quem sabe?

Nem tudo o que critico em House é pela negativa. De positivo dou-lhe a própria personagem, porque exemplifica o que temos na sociedade de hoje. Na década de 80 talvez fossemos mais activos como o MacGyver. Mas actualmente, o comodismo parece ser a ambição da maioria. O conforto do parque de estacionamento bem perto da porta de casa, ou mesmo em cima do passeio para que se veja melhor da janela. Já poucos andam a pé e de transportes públicos poucos são os que não estão já na terceira idade.

Que House exemplifica um certo cinismo da sociedade, é verdade. Ele também gosta de marcar o seu ponto de vista usando as pessoas como cobaias vivas. Isso é interessante. De resto, gosto do trabalho gráfico de computador, que mostram o que acontece no interior do corpo humano durante uma reacção do organismo. Gosto da música do genérico, principalmente da primeira série, e do genérico em si.

Acabei de lembrar de outro defeito de Dr. House: o uso exagerado de uma “fórmula”. Tal como a série Ally McBeal (mas o que se passa com isto de baptizar uma série de televisão com o nome das personagens?) que teve cada episódio a terminar com um número musical, o Dr. House segue essa mesma estrada. E por falar em marcar um ponto de vista usando a própria experiência de vida da pessoa, em Ally McBeal a personagem de John Case fazia o mesmo. E cá está! Ally MacBeal é outro exemplo de uma série que foi interessante no seu tempo, mas que não tem nada para oferecer hoje. Foi inovadora, cativante, principalmente graças à contribuição gráfica que dava azo aos devaneios da personagem.

MacGyver, Ally McBeal e o Dr. House. O primeiro tem a habilidade, o segundo a loucura, e o terceiro tem tudo isto! Mas tal como MacGyver e AllyMcBeal vistos hoje, acredito que passado igual período de tempo, também os fãs vão rir muito do Dr. House e companhia.



English Version:
In the 80´s there was a television series of great success that lasted into the early 90´s.
It was about a man that, from nothing, was able to solve very serious problems in the most astonishing way.

Does this remind you of Dr. House? Of course! But his name was MacGyver. An athletic, charming, enchanted guy that had the ability of taking himself and others out of dangerous situations.

At first, they don’t seam to have much in common, do they? Only two things: they’re both men able to resolve difficult situations and their character’s name are the tv series title.

But is that all? Let’s see. One is, has it was said, an athletic, charming men, that happened to be a scientist. The other is a doctor, not athletic, not very charming. Is actually rude, selfish and likes nothing better than to have his way. MacGyver had is adventures in the middle of the desert, where airplanes exploded and wars were going on. House stays locked in is apartment most of the time, some of those times he should be at work.

But they’ve have more in common that one realises. Is not fair to criticise a tv series that is not over yet. It still runs, so changes are a possibility that may or not improve the product. But I make my judging through these first four seasons. Here it goes:

Dr. House is essentially that: The doctor House. The rest of the cast is nothing. They personal lives are almost inexistent. They’re not developed. Lets take has an example, Dr. House’s friend, Dr. Wilson (name inspired no doubt, in the most famous secondary character in the world, hum function was to listen to doctor Holmes, Sherlock Holmes). He’s also a doctor that happens to be divorced a certain number of times that we don’t even know. I think that, other than to be involved with House, none of Wilson’s ex or currant wifes had a part on the show. The other characters are very shallow too. They come across has dispensable in the story. Just take House out of the picture and see what you stay up with.

The other criticism I throw into the sitcom is the poor credibility I see in the hospital environment. Apart from going on the corridors showing themselves in white gowns and stethoscopes hugging in by the neck, speaking in doctor’s terms, sometimes in the company of House, there’s nothing interesting going on. Just others strolling around. And I believe this is done only because if they made every scene inside the five doctor’s office, it would look bad. Many times it makes me laugh. Especially in the scenes where we see the patients family reactions.

If nothing else appeals to your attention, center yourselves in that. For people who very suddenly see they love ones (a daughter/sun/father/mother/uncle/etc) in life or death situation, their reaction is almost every time very peacefully. They’re told that only a miracle can save they sun, and in three seconds they are resign. It sounds silly! Actually, is not credible.

Of course, another way to pass that hospital environment feeling to the viewer is to show all the hospital paraphernalia on use. The exams a patient has to make, the needles injections, the blood etc. The patient always, but always has an unexpected crises after having had a normal conversation with the doctor that exams him and says he’s much better.

This tv sitcom makes me laugh. Many times! Maybe it’s me. Maybe I’m already watching this show 10 years from now. And just like MacGyver, I laugh of the bad scenes that look fake but seemed ok back in the 80´s.

I don’t negative criticize everything in Dr. House. I give a positive reinforcement
to the character itself, because it exemplifies a lot of what we have today. People are not that active has MacGyver anymore. Maybe they never were. This days, people seem to ambition nothing more that a live of comfort. Like the car parking space really near to the building entrance, or even on the sidewalk so they can keep a closer look from the sleeping room window. Only extremely poor and old people use the public bus. No one walks to work anymore. People can be in debt more that what they cope with, but no luxury is putted aside. So House exemplifies something that this modern society created. Selfish people that have trouble relating with others. Also, House likes to make a point by using others as there on guineapigs.

Another positive thing about this series is the open titles. The graphic design is nice and the melody is catching, specially the one from season one. I also like the computer graphic contribution to the story, when it shows the interior of the human body reaction to some disease or treatment. That’s great!

But still, one thing almost left my mind, but I have to say it: Lots of times there´s too much of a “formula” to the episode. Just like Ally McBeal (what’s up with character’s names for tv series titles?), that had a musical ending to every single episode, Dr. House goes on also in this road. And speaking of liking to make a point using other people experiences has an example; in Ally McBeal the character John Case did much the same. And so, I’ve just remember another good tv series that only belongs to the seasons it was made: Ally McBeal. Very uninteresting now, but very good to watch back in its days, with a great computer graphic contribution to Ally dreams and illusions. And that it! MacGyver, Ally McBeal, and Dr. House. One had the skills, the other the craziness and the third has it all!

But still, I believe that, just like MacGyver or McBeal watched today, so will tv fans in the future will laugh about Dr. House.

publicado por TV Mania às 00:03
Domingo, 23 / 12 / 07

FRASIER - the best?



Todos os episódios de Frasier terminavam assim: “Frasier has left the building!” . Traduzido, tem o seguinte sentido: “Frasier foi embora”. Mas não. Frasier não ia embora assim tão depressa.

A sitcom esteve no ar por 11 anos. E que anos! Um guião sagaz, inteligente, longe do humor fácil com que a maioria das séries de TV faziam sucesso. O público envolto nas peripécias profissionais e familiares de Frasier, aderiu à série com apetite de voyeur.

Quase nem dava para lembrar que a personagem Frasier Crane, psiquiatra, vinha de outra série de sucesso, Cheers –Aquele Bar, que terminou exactamente na estreia de Frasier: 1993. Não que o facto tivesse esquecido. Longe disso. A situação até foi encarada com nostalgia nos episódios em que se fez referência à vida de Frasier em Boston. Mas os autores simplesmente tornaram a nova vida de Frasier mais interessante.

Ressuscitaram” o seu pai, mas “mataram-lhe” a mãe e alteraram a profissão e o carácter dessas personagens. Afinal, o pai de Frasier é um polícia reformado. A mãe faleceu e era uma santa pessoa (e não a mãe possessiva que ameaça matar Diane por namorar o seu filho em Cheers) e o máximo dos máximos, Frasier tem um irmão, Niles, também psiquiatra.

E assim está lançada a história de três homens (sem um bebé) e suas peripécias com as mulheres. Temos Ross, a produtora de rádio que trabalha com Frasier, uma mulher que adora homens e que tem uma cultura geral que Frasier e Niles desconsideram. Daphne, a empregada doméstica/fisioterapeuta que encanta Niles, as constantes conquistas de Frasier e de seu pai Martin e finalmente Lilith e Maris, uma a ex-esposa de Frasier, outra a sua cunhada.

Maris é uma personagem fascinante, que existe apenas nas falas, reacções e descrições das personagens (http://br.youtube.com/watch?v=M1dZHjfg13Y). Lilith já era conhecida de Cheers, e é igualmente uma mulher fascinante, intelectualmente mais sagaz que Frasier, o que o enlouquece. O filho de ambos vive com a mãe e faz poucas aparições na série. Contudo, aparece e surge interessante, ao revelar-se sagaz o suficiente para enganar ambos os pais para conseguir uma minimoto de presente. O irmão Niles é a personagem que mais me fascinou. As suas neuroses e a sua paixão por Daphne são hilariantes. E transforma-se numa pessoa interessante quando começa a psico-analisar Frasier e se revela mais astuto, perspicaz e maturo que o irmão.

Esta talvez seja a melhor comédia de sitcom de todos os tempos. Se é que se pode eleger uma. Sem dúvida que merece essa distinção, por apresentar o guião inteligente que se inovou e renovou por 11 anos. Também Cheers durou 11 anos. Senfield 9 e outras também estiveram aí para durar. Mas nenhuma, nem mesmo Cheers dos mesmos criadores, recorreu menos à “fórmula” e obteve o mesmo sucesso.

PREMIAÇõES: 37 estátuas Emmys
TRIVIA: Eddie, na realidade Moose, o cão da raça Jack Terrier, fez as primeiras 8 temporadas da série, sendo depois substituído pelo seu filho Enzo. Faleceu em Junho de 2006 com 16 anos.



English Translation:
Every episode of Frasier ended this way: “Frasier has left the building!”. Translated, it means “Frasier is gone”! But Frasier would not go away that quickly.

It stayed on air for 11 years. And what great years! A funny intelligent script, far away from the easy humor that gave success to other shows at the time. The public glued to Frasier with a voyeur appetite.

You can’t almost remember that Frasier was a cross-over character from Cheers, another great sitcom that came to an end in the year of Frasier’s coming: 1993. Although the audience knew him has the Boston bar client, the new family and professional oriented story of Frasier was much better to watch.

His father Martin was brought to life as a former police officer, now retired. Frasier mom had died and her character changed to a sweet understanding and loving woman, instead of the jealous mom that threatened Diane life for dating her son in Cheers. And the best of all, Frasier has a brother: Niles, also a psychologist.

And so, the story is lunched. Three men (with no baby) and their life with the women. There’s Ross, Frasier´s radio producer whose love for men and general culture kind of repulse both Frasier and Niles´s extreme moral sensibility. There’s Daphne, the house made/physiotherapist that enchants Niles, the constant Frasier and his dad conquests and finally Lilith and Maris, respectively Frasier’s ex-wife and sister-in-law. Maris is a fascinating character, as is Lilith (http://br.youtube.com/watch?v=6gJjhqrsW78). The first woman is never seen(http://br.youtube.com/watch?v=M1dZHjfg13Y). She exists only in the characters reactions and words. Lilith is an interesting character more so when she intellectually confronts Frasier and clearly comes out as the winner. And then there’s their son. He doesn’t appear much in the series, but when he does, is worth it. The boy proves whose blod runs on his veins when he intellectually deceives both parents into almost buying him a motor bike. The brother Niles is my favorite character. His affected manners, and delirious passion for Daphne are hilarious. But his annulling as an individual with Maris and the maturity and intellectual superiority when he psychoanalyzes his brother, makes him a full individual.

This is probably the best comedy sitcom ever. It certainly deserves this distintion. It presented a hilarious rich script, that cleverly renew it self during 11 years. Other sitcoms that whore around also achieved success and longevity but none was less close to “a formula” and got the same success as Frasier.


Winner of 37 emmys
Trivia: The dog Eddie, actually named Moose made the first 8 seasons of Frasier and then was substitute by his son, Enzo. Moose died in June of 2006 with 16 years.

Some Links/Alguns links para relembrar esta excelente série:
1)- http://br.youtube.com/watch?v=13W48C5tAT8
2)-http://br.youtube.com/watch?v=v-VuPbXE_bI - bloopers - erros
3)- http://br.youtube.com/watch?v=YhJWj9dTEeI -Niles puts botox on his forhead
4)- http://br.youtube.com/watch?v=bUz8ljkPIY4 - Niles and Daphne and the trip with Ross and Donny
publicado por TV Mania às 00:25
Sexta-feira, 21 / 12 / 07

QUEM SAI AOS SEUS/Family Ties

Sit UBU, sit! Good dog!

(Woof!)
Pâ, pâ, pâ, pâ, pâpâ, pâ-ráá´...!


Era assim que terminava a exibição de cada episódio da série "Quem Sai aos Seus". Era a parte final mas fazia as delícias dos miúdos, que a aguardavam para cantarolar a curiosa melodia da produtora e ver aparecer a imagem do cão.

QUEM SAI AOS SEUS (Family Ties no original) é capaz de ser a série mais longamente emitida em Portugal. Quando deixava de ser exibida num canal, logo passava para outro e, deste modo, entrou no novo milénio sem que a emissão fosse interrompida.

A sua última exibição foi no canal SIC Gold. Começou por ser emitida na RTP2 na década de 80 e nos EUA, de onde a série é natural, foi exibida entre 1982 a 1989. Não é por isso, das séries mais duradouras alguma vez feitas nessa fértil década que foi os anos 80, mas atingiu uma maturidade que se diria que esteve mais que os seus 7 anos no ar. Teve várias participações especiais de actores que vieram a fazer muito sucesso no cinema: Courteney Cox, Geena Davis, Tom Hanks e River Fhoenix. por exemplo.

Traduzido à letra, o título Family Ties quer dizer "Laços Familiares" ou "Laços de Família". Embora o sentido não se tenha perdido na tradução portuguesa do título (Quem Sai aos Seus - não degenera) surpreende-me quase sempre a escolha tradutória para português no Brasil: "Caras e Caretas" - foi o título escolhido. Será que é porque, como é natural em sitcoms cómicas, existem muitas expressões faciais, ou quem decidiu o título era fã incondicional das caretas de Michael J. Fox no papel de Alex?

A história centra-se basicamente numa família. Um casal, três filhos, uns na adolescência outros quase a entrar nela. Focam-se questões diárias que fazem parte da vida de qualquer pessoa. A escola e as amizades no caso dos adolescentes, a família e o emprego no caso dos adultos, e por aí fora. Mas "Quem Sai Aos Seus" foi uma série bastante inovadora. Ela mostra uma família que, apesar da "generation gap" (brechas entre gerações, digamos) consegue comunicar. E este é o seu maior trunfo, o que fez com que todos se colassem ao ecrán para a assistir. A família discutia e desentendia-se e passavam pelo mesmo tipo de problemas que todas passam. Mas acabava sempre tudo bem, através do diálogo e da comunicação.

Eis a razão de gostar tanto desta série. Durante muito tempo não sabia nem pensava o que podia esta possuir para gostar de a ver mas, com o tempo, fui percebendo.

Em jovem adolescente a parte mais agradável do meu dia era ver sitcoms. "Quem Sai Aos Seus" fez parte de um rol delas, que passavam num canal parabólico em séries de quatro, o que me facultava duas horas de pura risada diária. Sim, não tinha legendas! O que só aperfeiçoou a minha percepção da língua inglesa.

Tive oportunidade de viver em Inglaterra em duas ocasiões diferentes. E agora me lembrei que, não sei porquê, em ambas as ocasiões tive pessoas a me perguntar onde é que tinha aprendido a falar a língua, pois a falava bem mas, num estilo "americano".

Ora bem! É por esta razão e também por outras, que defendo a exibição de séries e filmes legendados. No Brasil tudo é dobrado (ou dublado, como dizem). Em Portugal todos os filmes exibidos na televisão e também os vendidos em DVD estão na sua versão original, apenas legendados para português. Até pouco tempo, o mesmo se sucedia com os documentários. Mas com a chegada da TV por cabo e dos canais documentais, estes passaram a ter tradução portuguesa. Uma pessoa habitua-se mas, é preciso ter cuidado, para não se perder o contacto com as línguas originais. Nada melhor do que deixar os nossos sentidos serem conduzidos pela sonoridade que originalmente decidiram atribuir a uma obra!

Mas desengane-se quem pensa que isto basta para aprender um pouco melhor uma língua estrangeira. É claro que ajuda. Não sei falar quase nada em Francês e o facto de passarem menos filmes franceses na televisão não é coincidência. Mas aprender na escola, bem ou mal, ajuda. Porque além de perceber, há que falar, ler e escrever! Digamos que as duas experiências se complementam.

Voltando a "Quem Sai aos Seus", o seu "trunfo" é, sem dúvida, mostrar uma família em comunicação. A série facultou uma nova percepção de família, mostrou outras formas de agir. Os pais "Elyse e Steven Keaton" não eram pais rígidos e opressores, que impunham o seu pensar aos filhos e exigiam obediência total. Por seu lado, ás vezes eram os filhos que se sentiam incomodados pelas demonstrações de afecto dos pais e pelo seu sentido cívico. Porém, não deixavam de ser miúdos em crescimento, com os problemas comuns e as traquinices habituais. Esta era uma família normal, mas que povoava pouco o ecrán. Para uma sociedade de desenvolvimento industrial rápido, mas com as suas raízes na pobreza extrema e na dificuldade de comunicação entre filhos e pais, como é a sociedade portuguesa, a série pode ter contribuido para formar, indirectamente, a maneira de ser da geração que se seguiria na idade adulta.



publicado por TV Mania às 20:36
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